Boneca LOL desafia lei com publicidade para crianças

Boneca LOL desafia lei com publicidade para crianças

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Fenômeno tanto entre crianças e pais, a boneca LOL se consolidou no mercado brasileiro. Mesmo sendo um sucesso de vendas, não são poucas as críticas ao preço e à forma como a empresa tem promovido o brinquedo.

Não são raros os relatos de pais e mães indignados pelo valor do produto. Com menos de 10 centímetros de tamanho, a LOL consiste em uma boneca feita de plástico capaz de absorver e espirrar água, além de mudar de cor em contato com água gelada. Seu preço por unidade varia entre R$ 79 a R$ 120 e possui kits que chegam a custar até R$ 999,99.

Ao primeiro olhar, os mais céticos não conseguem entender como uma boneca com pouquíssimas funcionalidades pode custar tão caro. Entretanto, o produto de fato não é o brinquedo, e sim o seu unboxing.

Febre na internet, a prática se espalhou dos adultos para as crianças, abrindo oportunidade para a MGA, responsável pela boneca, desenvolver um produto cujo maior atrativo é sua abertura. Como a ideia surgiu na internet, a empresa decidiu focar sua campanha de publicidade no mesmo meio, o digital.

“Entendemos que a LOL é um dos primeiros brinquedos no mundo que possuem uma estratégia de marketing totalmente voltada nessa nova ferramenta, o unboxing, tão disseminada nas plataformas de vídeo como Youtube” analisa Renato Godoy, assessor de relações governamentais do instituto Alana, uma organização responsável por programas de defesa à criança, como o Criança e Consumo.

“No Brasil a empresa responsável pelo brinquedo é a Candide e ela não tem qualquer tipo de inserção em veículos tradicionais de mídia. Nosso entendimento aponta para a transição que deve ocorrer no mercado infantil nos próximos anos”, continua.

Para Godoy, o Youtube tem sido cada vez mais protagonista do impulso consumista entre as crianças por conta deste tipo de publicidade, como maior exemplo as bonecas LOL.  O que poucos sabem, no entanto, é que isso é ilegal.

“Estamos denunciando essa prática há mais de 12 anos. Promovemos cerca de 200 representações judiciais, nos baseando sempre na Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e também no Código de Defesa ao Consumidor”, declarou Godoy.

“Existe um abuso de publicidade realizado em cima da deficiência de experiência e julgamento das crianças. Entendemos que é uma característica peculiar e inerente à criança essa deficiência. Então toda e qualquer publicação que se vale de um discurso persuasivo configura-se como abusiva e, portanto, ilegal”, ressalta.

Marketing mirim

São milhares os vídeos de crianças mostrando o unboxing de suas LOLs no Youtube. Grande parte dessas publicações, segundo analistas, é resultado de uma ação de marketing da empresa na tentativa de disseminar o brinquedo entre as crianças.

“No caso dos youtubers mirins, é algo ainda mais grave e difícil de ser percebido pela criança. O produto está sendo anunciado de forma velada, quando não configura uma publicidade em si, mas há todo o indício que o mercado vem se valendo dessa dubiedade, da nebulosidade que ainda impera no setor para promover produtos de forma ilegal e abusiva para o público infantil”, condena o assessor do instituto Alana.

Mesmo proibida, a prática ainda é comum e tende a ser mais utilizada por conta do resultado positivo nas vendas da boneca. Como em qualquer segmento do mercado, um produto que vive um bom momento se torna exemplo para outras empresas seguirem o mesmo caminho.

“A gente observa que o mercado ainda insiste nessa abordagem. Ele ainda se vale da questão afetiva entre pais e filhos para colocar os produtos desejados como uma moeda de troca por sentimentos afetivos. O produto relacionado ao afeto é bastante vinculado”, analisou Godoy.

Para Rodrigo Amorim, especialista em branding e professor na pós-graduação de Marketing Digital no Centro Universitário Belas Artes, cabe à empresa lidar da maneira correta em relação à sua publicidade na internet.

Yahoo (Victor Lima)

Imagem: divulgação/Commons

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