Quais os riscos de uma intervenção militar americana na Venezuela?

Quais os riscos de uma intervenção militar americana na Venezuela?

O presidente dos EUA, Donald Trump, gosta de repetir que todas as opções estão na mesa, ao ser indagado sobre uma possível intervenção militar na Venezuela para depor o presidente Nicolás Maduro. Trata-se de uma resposta vaga já aplicada a Irã, Coreia do Norte e Síria. Mas que, no caso do país andino, vem ecoando na ala mais radical do governo e do Partido Republicano.

Recentemente, o influente senador Marco Rubio, de origem cubana, defendeu abertamente o uso da força militar na Venezuela, alegando que o país é uma ameaça à segurança da região e dos EUA. Vazou também, pelo jornal “New York Times” a informação de que autoridades do governo Trump teriam mantido encontros com militares venezuelanos insurgentes dispostos a tramar um golpe.

Deixar a porta aberta a uma ação militar tem efeito de distração, numa bravata que favorece tanto Trump quanto Maduro — ambos com popularidade em baixa e mergulhados em escândalos e crises políticas domésticas. O americano alega que o regime seria facilmente derrubado se os militares assim o quisessem. O venezuelano responde que a reação de seu país a uma invasão dos EUA faria a Guerra do Vietnã parecer pequena.

Na prática, porém, uma intervenção seria contraproducente e catastrófica para os dois países, que só teriam a perder. Com seu passado de ingerências na América Latina, os EUA se embrenhariam numa nova ação certamente sem o apoio de seus vizinhos de continente.

E a Venezuela, que já encontra na rota do colapso econômico e de um regime ditatorial, com nove entre 10 pessoas na linha da pobreza, assistiria à validação das teorias conspiratórias de Maduro, para quem o governo americano é o maior culpado pela tragédia do país.

Por enquanto, os EUA optam pelo cerco ao governo venezuelano com ferramentas políticas, traduzidas em novas sanções econômicas ao círculo de Maduro e em ajuda humanitária aos refugiados.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa na 73ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na quarta-feira (26) — Foto: Reuters/Eduardo Muñoz

Na semana passada, após Trump discursar na Assembleia Geral da ONU, o Departamento do Tesouro americano estendeu as sanções à primeira-dama, Cília Flores, à vice-presidente, Delcy Rodriguez, ao ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e ao ministro das Comunicações, Jorge Rodriguez.

O presidente venezuelano, que estava decidido a não comparecer à ONU, mudou de ideia e desembarcou de surpresa em Nova York para denunciar Trump por ataques políticos e econômicos contra seu país. Por outro lado, governos de Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Canadá intensificaram a pressão sobre o regime, pedindo ao Tribunal Penal Internacional que investigue a Venezuela por supostos crimes contra a Humanidade sob o comando de Maduro.

O histórico dos EUA na América Latina, envolvendo-se em invasões e orquestrando golpes para derrubar governos no século passado, é outro indicativo de que a cautela é imperativa quando o governo cogita optar por mais uma intervenção militar. Sobretudo na Venezuela, onde os EUA sequer têm um plano de transição que justifique pôr em risco vidas de americanos.

G1 (Sandra Cohen)

Imagem: ilustração | reprodução da Internet

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